quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Chefe do departamento

É a minha mãe.
Nova chefe do departamento de Biologia Celular e Molecular e Micro alguma coisa que não me lembro, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto na Universidade de São Paulo! Olha o tamanho do título!

Seus filhos se foram, todos se mudaram da cidade, quando o último que restava na casa, Cristiano, foi fazer uma parte do seu doutourado na França ví minha mãe sem rumo. O casamento com meu pai parecia não se sustentar por sí só, era dependente do esforço pelos filhos. Grande parte do prazer cotidiano dela era baseado em arrumar a casa, cuidar das refeições ajudar e aconselhar os marmanjos de 20 e tantos anos.

Ví minha mãe deprimida, chateada mesmo, resmungona, reclamando muito e se desentendendo muito com meu pai. E paralelamente ví os pais de muitos amigos na mesma idade passando por fase semelhante.

Passados alguns anos vejo minha mãe renovada, com novos objetivos com a vida acadêmica à mil, elegeu-se chefe de seu departamento, atender ao celular quando eu ligo não é mais a maior prioridade de sua vida e sim participar de reuniões e mais runiões. Seu trabalho sempre foi admirável, sua produção científica impensável para os recursos que a universidade e as agências de fomento à pesquisa oferecem. Dois de seus inventos além de patenteados estão entrando no mercado farmacêutico.

Agora imagino para uma mulher que se propõe a ser dona de casa, como superaria essa fase de afastamento dos filhos? Algumas nunca se afastam, vêm defeito em tudo que é namorada que o filho arruma, não permite que o filho alce seus próprios vôos por medo de enfrentar a mesma situação. A mim parece que o trabalho é o mais saudável dos remédios psiquicos, em diversas fases ruins da minha vida pessoal, a obrigação de levantar e ir para o trabalho é que não me deixou sucumbir à uma depressão mais severa.

Encontrei os pais de um dos meus melhores amigos, no aniversário de 1 ano de sua filhinha, sua mãe me contava que estava deixando a casa onde os filhos cresceram para construir uma nova, maior, onde possam receber os filhos e os netos.

Com meu pai? Parece que ambos perceberam (pode ser fantasia minha) que o respeito e admiração, o companheirismo e solidariedade são o que mantêm um relacionamento depois de tantos anos.

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