sábado, 28 de março de 2009

As operadoras...

Eu ia escrevndo um post para reclamar das reclamações que faço para as operadoras...

E me lembrei que o que mais enche é reclamar. Soluções? Poucas, nunca satisfatórias, os nossos atrasos são sempre punidos com juros, multas. Quando os erros são deles, NÓS somos punidos com muitos minutos no telefone tentando resolver o problema, não recebemos multas nem juros. Quisera eu ainda acreditar que eles erram e não agem de má fé...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Bonecas Russas (para minha pequena)

Abrí boneca por boneca
até chegar à minha pequena
a única que não era ôca

Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto...

...Pra você parar em casa, qual o quê!

Confiança, admiração e respeito

É o que uma relação de amor precisa para não se deteriorar. E como é frágil essa composição, como é fácil trair qualquer um desses preceitos. Em geral quando um dos ítens do título desse post racha, todos os outros vem abaixo em seguida.
Ah sim, esse post não é pessimista, é só um alerta para mim mesmo, se escrevemos, se é preto no branco, parece que o compromisso ganha importância, o compromisso fica mais organizado e claro. E o compromisso é comigo mesmo tem que ser comigo mesmo, deve independer do outro.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Olhares Estrangeiros

Depois de escrever tantas e longas bobagens resolví retomar a seriedade que um blog de fotógrafo deveria ter.

Admiro diversos fotógrafos, diversas vertentes da fotografia, dos artistas plásticos que usam a fotografia somente como técnica aos que se debruçam sobre as infinitas possibilidades que a linguagem fotográfica tradicional pode oferecer. Há um certo senso comum de que o trabalho e o autor são uma só coisa, que a história de vida ajuda a interpretar a obra e melhor compreendê-la. Eu concordo, alguns trabalhos passam a ser muito mais admiráveis quando conhecemos a história de vida do autor. Porém os trabalhos de que mais gosto se esgotam neles mesmos.
Entre esses autores, alguns dos que deixam refletir a sua vida em seu trabalho, sem que seja necessário que se questione ou se busque saber qual é a sua história, pois ela já está estampada na obra, estão os fotógrafos de zonas de conflito.
Quando observamos as fotos de Sebastião Salgado no livro Êxodos, ou o livro Hell de James Nachtwey, não há dúvidas da agonia que eles presenciaram e de alguma forma reproduziram em suas fotografias, não há dúvidas do quanto se entregaram ao sofrimento alheio. Eles usam a fotografia como uma linguagem rápida para atingir seus leitores. Nachtwey tem estampada a seguinte frase logo no início de seu website:
"I have been a witness, and these pictures are my testimony. The events I have recorded should not be forgotten and must not be repeated."

Eu sempre fugí das oportunidades que surgiram para ir à guerras e zonas de conflito, cobrí conflitos de terra no Brasil, conflitos entre polícia e ocupantes de terrenos ilegais. E não me sinto atraído por isso, tenho a nítida impressão de que as imagens perderam a sua força no sentido de mudar essas situações, espero sinceramente que eu esteja enganado, mas quando colocamos a pobreza e miséria estampada em um pôster na parede de uma sala de visitas é porque aquilo já não incomoda. Não duvido 1mm das boas intenções desses fotógrafos, mas duvido da capacidade que um dia tivemos de nos mover para mudar o mundo por causa de uma imagem que nos tocou.

Conversei com colegas especialmente sobre os dois fotógrafos que linko abaixo, os dois fizeram trabalhos sobre as favelas no Rio de Janeiro e recebí opiniões diversas, algumas falavam que um deles fez um trabalho sobre favelas no Rio de Janeiro sem sujar os sapatos, outros diziam que havia fotos que pareciam mais cenas de filme americano... Eu admiro os dois, acho que eles são muito menos explícitos e muito mais poéticos do que Nachtwey, enquanto Nachtwey grita, João Pina e Sakamaki sussurram os sofrimentos humanos, sussurram a tristeza e os problemas sociais em meio a sorrisos, cores e esforços para de vida cotidiana. A minha impressão é que esses caras chegaram mais perto, conheceram melhor e se dispuseram mais do que Nachtwey a ir fundo não só nos problemas e na violência, mas também no modus-vivendi em suas viagens pelo mundo. O olhar estrangeiro está presente em todos os trabalhos citados nesse texto, mas alguns sujaram sim os sapatos, e sujaram suas almas chegando realmente perto da realidade "toda" não só das balas nas cabeças e corpos mutilados de seus retratados. O que me parece muito mais respeitoso com seus retratados.

Por isso sugiro os links desses caras que propõem um olhar até certo ponto poético sobre a vida humana, memsmo em zonas de conflito:

http://www.joao-pina.com/

http://www.qsakamaki.com/

Avedon por Barthes

Achei um texto de Roland Barthes comentando o então novo livro de Portraits de Richard Avedon em 1977, incrível como os retratos são encantadores...
Novamente há a dificuldade da língua, mas vale tentar ler em espanhol mesmo, ou usar o Tradutor do Google.

http://www.pagina12.com.ar/diario/verano12/23-119361-2009-02-02.html

Linkando

Faz tempo que não posto nenhuma sugestão de website de fotografia, então aí vão uma que vale a visita:

http://www.theonlinephotographer.com/

Engraçado e bem humorado trata dos assuntos mais variados de fotografia com textos de todos os tipos, faz análises mais genéricas e leves de câmeras, justamente para quem não tem paciência de ler e entender todos os números e dados técnicos que o Dpreview oferece, em 2 minutos você conhece boas sugestões para diferentes propósitos, vai direto ao ponto. Entre os ensaios sobre fotografia e colunas, há ainda as avaliações de livros de fotografia que ajudam muito na hora de comprar aqueles livros que nunca chegam ao Brasil, e só podemos pedir à Amazon... O defeito? Não sei se é defeito, mas o site é, naturalmente, escrito em inglês, é bom porque é uma língüa mais conhecida no resto do mundo, mas acaba excluindo alguns de nós brasileiros...

Mas lembrem-se há sempre o Tradutor do Google!

Boa leitura!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Na minha...

Sexta-feira, uma chuvinha e o congestionamento que já seria ruim, fica péssimo. Aí vem aquele mau humor, no carro a percepção de que o trânsito não transita, mais pela falta de atenção e agilidade dos motoristas, carros que ocupam duas faixas e que não partem quando o semáforo acende a luz verde. Se a ansiedade de chegar em casa já era grande, essa vai se amplificando pela irritação com os outros motoristas. Me disseram que se exigimos menos de nós mesmos, passamos a ser mais tolerantes com os outros. Preciso por isso em prática.
Ao chegar em casa ligo o abajur, ligo o som, Marcos Valle, numa coletânea muito tranquila, bossa nova. Abro o livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa de Lourenço Mutarelli, depois da décima quarta página lida, vou até a geladeira pego um chá verde, calculo meus próximos passos na noite. Fabrizio me ligou, já tinha marcado de encontrar o Calil, mas a vontade de ficar em casa parece tomar conta do meu corpo. Ainda não desistí, telefone com Calil:
-E aí? Já está no bar?
-Sim, nem te liguei porque está um p... trânsito e o bar que escolhemos é no Brooklyn.
-Calil, não esquenta, to tranquilo em casa, vai ficar muito tempo aí?
-Mas uma hora no máximo.
-Então passa aqui em casa mais tarde, vamos tomar umas por aqui. Feito?
-Tá, te ligo. Abraço.
-Abraço
A luz se apaga, o som desliga, sim mais uma chuvinha que além do congestionamento causou problemas no fornecimento de energia elétrica.
Segundos de desespero, aquele pensamento maldito "justo agora que estou oficialmente de folga!". Mas foi muito efêmero esse sentimento, sim descreví como um pensamento, mas acho que é mais emocional do que racional um desgosto profundo, como se eu não pudesse fazer nada na escuridão.
Fiquei no sofá onde me preparava para ler, e em pouco tempo não só a agonia de estar no escuro e sem meus preciosos aparelhos elétricos se dissipou como a escuridão também, as luzes da cidade refletiam na cerração do céu fazendo a massa que seria cinza durante o dia refletir uma luz amarela invísel sob o olhar de quem está dentro de casa com as luzes acesas. Nossos olhos se adaptam à escuridão e o que era escuro passa a ser claro. Não tinha claridade suficiente para ler, mas suficiente para achar uma lazanha no congelador e colocá-la no forno, tempo de prepara no microondas, 14 minutos, tempo de preparo no forno 55 minutos. Como a eletricidade faz falta! Pensei em sair de casa, ir ao shopping comer e visitar uma livraria, mas eu já tinha ido a uma ontem, deixei para lá essa idéia e já tinha posto lazanha para assar, 55 minutos...
Voltei para o sofá e aquela ansiedade voltou, a questão: O que fazer sem TV, sem aparelho de som, sem luz para ler, tomar banho frio? Nananina... Não está mais quente como na semana passada. Pensei no meu cansaço, pensei no que tinha feito durante a semana, pensei no quanto pareço patinar ao tentar cumprir minhas tarefas...
Ligo para e empresa responsável pelo fornecimento de energia, um sistema automático já perguntou qual era o meu problema, se fosse falta de luz eu já podia digitar o meu CEP e registrar a queixa simplesmente. Mas alí no sofá sem ter o que fazer, digitei uma opção para falar com a atendente, Mirian era o nome de quem me atendeu educada, falava português bem, não era o tipo de pessoa que trabalha em tele-marketing, essas que respondem coisas como "Nós vamos estar registrando a reclamação e vamos estar tomando providências..." esse tipo que já virou piada e a piada já virou chavão. Imaginei seu rosto, não era bonita nem feia, estudante de enfermagem ou letras, trabalhava para estudar, família simples mas correta, pais empenhados em dar estudo aos filhos, torná-los pessoas prontas para a vida, se possível ver os filhos chamados de doutor. Seu namorado, um desenhista técnico trabalha numa empresa que presta serviços para a Petrobrás, batalhou para comprar uma moto, e no final da noite busca Mirian para levá-la para casa, seus pais a esperam marcando o horário de chegada, para que o jovem casal não ultrapasse as regras de bons costumes, como se já não tivessem ultrapassado há tempos.
Falta do que fazer é incrível! Como podem fazer uma propagando que diz que uma bebida energética te dá asas? A nossa cabeça nossa imaginação é que nos dá asas, sem estímulos da TV, livros, revistas, jornais, internet, aparelhos de som, tudo parece mais interessante, até a moça que atende o telefone na compania de eletricidade.
Logo a ansiedade se dissipou, e ter de esperar pela lazanha acabou sendo um prazer.
Volto a me deitar, cabeça sobre o braço do sofá apoiado em uma almofada. Penso em acender velas, logo desisto, não estava tão ruim sem luz. Penso em minha mãe, penso em meus irmãos, logo vem meu pai, pai pare de pensar em trabalho, queria muito que saísse desse seu maravilhoso mundo das pesquisas científicas, e principalmente do mundo da política universitária, penso no meu pai na praia, não o vejo em uma praia desde a minha adolescência, se bobear ele nunca mais foi a uma praia, penso nele repetindo:
-Boshta, esse marrr só tem boshta. (imitando sotaque de carioca ou santista)
-Pai pára de falar bobagem!
-É isso mesmo filho, imagina o esgoto que vai para o mar! imagina esse pessoal todo aí no mar? Não tem banheiro para todo mundo, aonde é que eles fazem o cocô deles? E o xixi? Esse mar é meshmo uma boshta!
-Pai, olha a praia que bonita, dia lindo para de pensar em bobagem!
-Seria bonito se não tivesse esse cheiro!
-Que cheiro pai? Não viaja, isso é maresia! É bom, você que tem asma deveria gostar, ar com um monte de umidade, coisa que falta em Ribeirão, aquele ar seco!
-Seria ótimo, ótimo se não tivesse esse cheiro de boshta... (com ar de deboche)
Lembrei da Belina II com a família indo para Ubatuba, depois de 2 horas de viagem, o carro com a traseira arriada começou a falhar até que párou próximo a Limeira, seriam 6 horas de viagem, e nós tinhamos começado a menos de duas...
-Carburador doutor isso é carburador, ou a boia encharcou, ou o giclê travou.
-E tem alguém que possa resolver isso? (perguntou o doutor coçando a cabeça)
-Sim tem uma mecânica aqui perto, vou passar por lá e aviso que o doutor está com o carro parado aqui na estrada.
Minutos depois chegou um italiano que falava com um sotaque carregadíssimo. Olhou, olhou, tirou o filtro de ar, mecheu um pouco e pediu que meu pai desse partida, o carro pegou e depois de pagar o mecânico seguimos viagem. Até aí sem problemas, ruim mesmo foi passar as 4 horas restantes com com o meu pai falando do mecânico e repetindo o seu nome estrionicamente:
-STRABÉÉÉLLI!
Teria sido só ruim mas 2 anos depois outro carro do meu pai parou alí no mesmo lugar e quem o salvou novamente foi o "STRABÉÉÉLLI!", passamos anos ouvindo meu pai falar estrionicamente o nome do mecânico que o salvou por duas vezes na estrada, Seria trágico se não fosse cômico!
Os carros sempre davam problemasnas idas ao litoral, porque meu pai não ia muito a praia, quando ia queria levar a casa junto, 3 filhos, empregada, malas até o teto e sobre o teto, não há perua que agüente.
Na escuridão, silêncio, como é silenciosa essa região. Olho pela janela, desde o sofá mesmo, e vejo que todo o quarteirão está sem luz, no quarteirão de cima as luzes dos prédios estão acesas.
O telefone toca, é a Ti, ela está em Ribeirão, nos falamos umas 8 vezes pelo telefone hoje, quando estamos os dois em São Paulo não nos falamos tanto...
-E aí Caê?
-Aqui nada. E aí?
-Vai sair? Eu acho que vou ficar em casa, estou muito cansada, fiquei arrumando as coisas na chácara desde cedo, fui ao médico também...
-Acho que não vou sair não, estou sem luz em casa.
-Sai então vai ficar em casa? Sem fazer nada?
-No começo tava ruim, agora nem estou tão incomodado, logo que acabou a energia eu te liguei, mas deu caixa postal.
-Sim desliguei o celular, estou ficando sem bateria.
-Nos falamos mais tarde. Te amo.
-Tá, beijo, te amo.
Voltei ao sofá, aquela agonia ameaçou voltar, mas se esvaiu rapidamente com a sensação de que eu não estaria tão bem com o som, a tv, e as luzes...
Pensei na Cacau, pensei no quanto eu gostaria que ela estivesse aqui, e então ela subiu no sofá com a aquele olhar de quem pergunta se pode mesmo subir se encostou nos meus pés e dormiu. Pensei em minha mãe, ela passou para me dar um beijo e me dizer boa noite, como ela sempre faz depois de dormir no sofá e acordar com o próprio ronco, beijou minha bochecha e depois apertou meu rosto contra o dela. Pensei na Ti, pensei na forma como nos deitamos juntos no sofá e como a abraço, sentí meus braços se aquecerem ao me encostar em sua pele, ela se virou me deu um beijo pude sentir o cheiro do ar que ela respirava e disse que preferia que a luz não voltasse, sentí ela se contorcer para levar a mão à minha cabeça e fazer um cafuné no meu cabelo, e ouví os fios do meu cabelo se chocarem com os dedos dela uns contras os outros, ouví a unha dela raspar meu couro cabeludo. Sentí o cheiro do shampoo dela, hummm que delícia, cheira a... Hummm lasanha de calabresa!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Malú de Bicicleta

é o título do livro de Marcelo Rubens Paiva que acabo de ler. O livro é picante, é vulgar, é erótico mas é sensível. Lí a quatro mãos. Dividí a leitura com a Ti. Um segurava o livro para o outro e esperava que o outro terminasse de ler o trecho para passar as páginas... Acho que só nessas fases de paixão intensa conseguimos fazer isso, apesar de torcer profundamente para que tenhamos sempre essa paciência um com o outro.

Voltando ao livro, é um livro sobre o egoísmo dos modos de se relacionar atualmente, dos relacionamentos de grandes cidades. O romance acontece em São Paulo, Rubens Paiva descreve lugares que freqüento ou freqüentei com assiduidade. Mas mais do que isso fala da busca frenética por uma satisfação que não vem, descreve o viciante prazer da sedução, e tem um final surpreendente apesar de anunciado em todo o decorrer da história. Me envolví com o livro, rolou uma identificação com Luis, personagem principal.

Enfim recomendo o livro e continuo recomendando a leitura a dois de qualquer coisa, mesmo que seja a ata de reunião do seu condomínio. A Ti pegou o Cem Anos de Solidão na minha estante, fiquei contente, é um livro que está em 90% das listas de livros de cabeceira das pessoas que mais admiro.

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu

(Fernando Pessoa)

Há assuntos que se esgotam em uma obra. Alguns se esgotam nessa poesia de Fernando Pessoa...

terça-feira, 10 de março de 2009

O Caderno de Saramago

Sinto-me pequeno de mais ao ler o blog de Saramago. O ranzinza José Saramago tem um blog, sim um blog. Gosto muito da sua obra, especialmente do Ensaio Sobre a Cegueira que para mim é a metáfora das metáfaros das injustiças sociais e discriminações, do terror que os preconceitos podem impor a etnias ou populações inteiras. Ranzinza ele para mim indiscutivelmente é, não vejo Saramago sem rsmungar reclamar e querer um mundo diferente, admiro a sua permanente e duradoura capacidade de contestação. Ele é a própria fábula do inconformado que quando perguntado se não desistiria de mudar o mundo respondeu que se desistisse ele é que teria sido mudado.
Indicado pela Cybelli uma amiga "psi" segue o link do blog que desde o carnaval tem me feito ler constantemente na tela do computador: http://caderno.josesaramago.org/
Mas para quem não tem paciência para começar a ler Saramago por uma história tão angustiante quanto Ensaio Sobre a Cegueira, começar pelo começo da vida litarária dele, sugiro Viagem a Portugal, digamos que é mais acessível, não que ele escreva de forma difícil, ou exageradamente formal, mas o conteúdo é bem pesado.

Ética e correção

Quando um deslize ético acontece no fotojornalismo, há quase sempre, a possibilidade de um erro do fotógrafo, um engano. Todos somos passíveis de erros, mas entender que os erros não nos isentam de culpa é parte importante na compreensão de que acordos e regras devem ser cumpridos.

Lembro-me da história de um fotojornalista norte-americano que tendo se mudado para o Brasil há pouco tempo e tendo uma compreensão pobre do português, fotografou uma fila em frente a um banco e depois perguntou para as pessoas que estavam na fila porque eles esperavam, todos responderam que tinham ido sacar seu dinheiro do banco. Ele não teve dúvidas de que se tratava de uma crise, e publicou a foto em uma das maiores agências de notícias do mundo. Isso gerou uma crise de confiança no exterior em relação ao Brasil fazendo, investidores retiravam o seu dinheiro desesparadamente do país, o dólar disparou. Até que descobriram que a fila no banco era a fila de aposentados e pensionistas que iam sacar o seu dinheiro como todos os meses. Conheço o fotógrafo que causou essa confusão, é um cara correto, e me parece que foi apenas um engano, não houve má fé. Porém para aqueles que perderam dinheiro, para as empresas que fecharam seus negócios por conta desse erro, não há volta, não há desculpas.

Há casos em que a busca por sucesso e a idéia de que uma foto faz o nome e a carreira de um fotojornalista motivam os mesmos a passar dos limites éticos. Enviam sua foto para outros clientes ou "patrões" para colher o máximo de frutos daquele dia seguinte de glória que terá estampada nas primeiras páginas dos grandes jornais, sua foto acompanhada de seu nome...

Mas perceber que nesse mercado extremamente competitivo, em que há cada vez mais procura por novos pensamentos e modos de ver o mundo, os jovens têm muito espaço, e fazê-los entender que o sucesso profissional vem com esforço contínuo e não com um dia de primeiras páginas é importantíssimo! Essa ansiedade pelo sucesso me parece ser resultado dessa pressa, desse medo do insucesso, do mercado que absorve gente a conta-gotas e expurga à rodo. Os novos fotojornalistas devem ser educados para saber que os grandes fotógrafos, os que o mercado não expurga de forma alguma, são os que estabelecem uma freqüencia de boas fotos e não os que de vez em nunca estouram com uma grande foto de primeira página.

O fotojornalista tem que lembrar o tempo todo que apesar de colocarmos no apelido da profissão o "foto" antes, o "jornalista" responsável e ético deve sempre, estar à frente, e erros nem sempre são perdoáveis, o nome legal da profissão no Brasil é repórter fotográfico e nesse caso sim a função de jornalista vem na frente como deve ser sempre. A arte e a expressão são importantíssimos em nosso trabalho, mas devem sempre ser acessórios para conquistar nosso público a informação confiável deve estar sempre à frente. Pode parecer exagero, mas um erro na nossa prática pode comprometer trabalhos e até mesmo vidas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Lólinha

É incrível como uma vidinha nova no pedaço pode nos encantar!

Há duas semanas atrás estávamos no hospital e a pequena Maria Luisa que tem uns 2 anos, priminha da Laura, chegou perguntando onde estava a Lólinha.
A Laurinha então virou Lólinha, nasceu com 2,8kg , não fala, até alguns dias atrás nem olhava para nós.

Mas mesmo assim ficam os avós, pai, mãe, tios, tias, todo mundo ao redor daquele pacotinho esperando um sorriso ou uma expressão qualquer para dizer com orgulho: "Ela sorriu para mim!", Ela piscou para mim!", "Ela fez cara de quem é minha amiga!", previsões de horóscopo, a madrinha cuidou, já sabe como será a personalidade, como vai lidar com homens e com a vida, já dicutiu com a avó, viu também o horóscopo chinês, só para garantir.

E eu... Eu não sou diferente, fico babando, fico olhando horas para ela, é como se aquele rostinho redondinho tivesse o poder de me hipnotizar, e meus olhos ficam alí parados nela, e uma expressão diferente, um movimento da sobrancelha parece ser uma coisa mágica, que nos deixa paralizados a espera de mais um sinalzinho de que o pacotinho está vivo! A natureza deve saber o que faz, as mudanças do corpinho, do rosto, dos pêlos dela parece se fazer a cada minuto, se deixo de vê-la 1 dia que seja, quando volto a mirar a nenêm parece que se passaram semanas, e assim o pacotinho nos mantém atentos a ele, nos faz ter cuidados e protejer a pequena vidinha.
Toda nova vida muda o ambiente, socialmente todos parecem se aproximar, a casa da mãe da Laura, vive em festa e as boas vindas à Lólinha são também as boas vindas às amizades e aos amores familiares. Os sorrisos e discussões sobre como cuidar da nova vida que veio fazer parte da família divide as opiniões, mas se mostra também uma forma de debater a educação coletivamente e aceitar e conhecer diferentes comportamentos sociais. Declarações de amor e carinho à familiares distantes, a emoção de receber o rebento e o empurrãozinho que um whiskinho pode dar e lá se vão declarações apaixonadas de membros da família do pai à família da mãe, lagrimas correm, agradecimentos sem fim, é uma delícia ver o que a Lólinha trouxe sem sequer desconfiar, parecia que tinha nascido nua e sem bagagem...
Bem vinda Lólinha.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sobre companheirismo

Perto ou longe há pessoas que entendem o que é ser companheiro. Entedem que não deixar dúvidas da relação que tem com você é o primeiro passo para a relação crescer e para que uma pessoa se sinta acompanhada. Dizer a verdade e entender a verdade do outro também é um ato de companheirismo.

No trabalho, nas amizades ou no amor essa confiança se conquista em pequenos passos e gestos.